Autor: priscilagorzoni

Sou jornalista formada pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo-SP, em ciências Sociais pela USP, em Direito pela Universidade Mackenzie, latu sensu em Fundamentos de Arte e Cultura pela Unesp-SP e mestrado em história pela PUC SP. Comecei a minha carreira nas revistas da Editora Abril e lá passei por publicações como a Bons Fluídos, Nova, Cláudia, Vip, Saúde, Capricho, Superinteressante e National Geographic Brasil. Mais tarde escrevi para as revistas das editoras globo, símbolo, escala. Escrevi para as revistas Isto É, Época, Vida Executiva, Você S/A, entre outras. Atualmente escrevo para diversos sites, como uol, tenho 10 blogues, e Revistas como a Gestão e Negócios da editora Escala. Também já publiquei vários livros, entre eles: Abre as portas para os Santos Reis pela editora Fundação Pró-Memória, Benzedores que benzem com as mãos pela editora UCG, Os animais nas guerras pela editora Matrix, Os mortos vivos pela Discovery publicações e vários guias pela editora Universo dos Livros.

Entrevista com os/as senseis: Sensei Maurício Fujimoto, do Templo Dojo

Mauricio Fujimoto, 51 anos, Engenheiro de formação, atualmente professor de Aikido o Templo Dojo

Por: Priscila Gorzoni


Priscila Gorzoni: Quando começou a praticar artes marciais?

Mauricio Fujimoto: Em torno dos 7 anos.


Priscila Gorzoni: Por que começou a praticar artes marciais?

M. F: Adorava os filmes.


Priscila Gorzoni: Quais pratica? Há quanto tempo?

M. F: Atualmente pratico Aikido há 30 anos e I Chuan a 25 anos. Já treinei por algum tempo, várias outras artes marciais.


P.G: De que maneira a arte marcial mudou a sua vida?

M. F: A arte marcial deu um objetivo na minha vida, uma razão de me aprimorar.


P.G: O que significa a arte marcial para você?

M. F: Auto conhecimento, crescimento interno e Amor.


P.G: Qual é a função da arte marcial na sua opinião? 

M. F: Combater os próprios medos para conhecer nossa essência primordial, assim exercendo o Amor.


P.G: De que maneira ensina as artes marciais e qual é o seu objetivo?

M. F: Ensino da maneira japonesa; sincera e bela como a vida e a natureza. O objetivo é conhecer e encarar os medos, para isso o ensinamento é severo e rigoroso. Movimentação de corpo, fazer as formas, etc… são coisas extremamente secundárias. Ser resiliente para ouvir uma crítica, enxergar que nossa opinião é somente um ponto de vista sem certo ou errado, já é um grande início.


P.G: Se puder me contar alguma história que ilustre o seu trabalho?

M. F: A história é sempre a mesma das pessoas que vem buscar o nosso Dojo. A maioria da pessoas estão nos extremos, são carentes, precisam de atenção, necessitam estar certas e defendem seu ponto de vista arduamente como sua verdade absoluta, acham que sua maneira de pensar é o seu Ser. Não conseguem conviver com pessoas que pensam diferente, por isso grupos com pensamentos opostos só dialogam entre si e animais de estimação são a solução moderna de relacionamento e afeto. Tem medo do diálogo, pois acham que se colocarem uma posição diferente haverá briga ou discórdia. Essa é a história da grande maioria que não começam a treinar no Templo Dojo, querem se sentir incluídas, ter um grupo de amigos que apoiam e sejam legais sempre e omissos na verdade. Nosso trabalho consiste em se aprimorar, o caminho é solitário! 
As pessoas são como são, com seus interesses e prioridades, cabe a nós aceitar. Assim, nosso Dojo faz com que você cresça e combata seus medos; o colega de treino não é para ser legal e passar a mão na cabeça, mas mostrar suas dificuldades, o ego desacerbado que todos temos e a contínua prática da perseverança e humildade. Quando chega alguém querendo praticar, somente digo que o que a pessoa acredita não é uma verdade. Somente um ponto de vista. Se entender treinará conosco, se ficar defendendo seu ponto de vista, irá embora reclamando do Dojo e do professor. Esse é o caminho, não vejo muitos lugares que seja tão severo como somos, somente no Japão onde vou regularmente treinar e lapidar meu espírito.

P.G: Porque resolveu seguir esse caminho nas artes marciais? 

M. F: É o caminho do Budo, não é um encontro de amigos para jogar conversa fora.

P.G: Como vê a situação das artes marciais na atualidade?

M. F: Vejo os extremos novamente, um segmento onde há luta, a vitória enaltece o ego do praticante e o outro extremo onde somos “amigos”, um faz o que o outro quer, mas criticamos e excluímos aquele que não colabora.

P.G: Percebe uma crise de valores nas artes marciais? Em que?

M. F: Um dojo tem suas contas a serem quitadas, assim poucos professores são sinceros em dizer a verdade, pois o aluno irá embora furioso e o professor com um indivíduo a menos para pagar as contas no final do mês. Muitas vezes também tem medo de desagradar o aluno, pois um Mestre legal enaltece seu ego e abastece a carência omissa.

P.G: Como vê a formação dos professores de artes marciais?

M. F: Simplesmente técnica aqui no ocidente.

P.G: Quais criticas faz sobre alguns deles?

M. F: Falam de valores bonitos do Oriente mas na sua maioria nunca viajaram até lá ou talvez foram 1 ou 2 vezes e ficaram alguns dias. Já fui várias vezes ao Japão, agora estou começando a entender o Aikido, suas nuâncias e discursos mais profundos do fundador.
Sem esse aprofundamento, resta ensinar os movimentos e falar coisas bonitas como disciplina, respeito, perseverança, tradição, educação, etc…

P.G: Também gostaria de saber o que o senhor acha da participação das mulheres nas artes marciais, que ainda é um universo bem machista? 

M. F: Acho que o Aikido, Tai Chi Chuan e as chamadas Artes Internas tem um público mais feminino, mas o machismo existe. Fundamental a presença da mulher com a referência do oposto, o uso da não força de músculos isolados e sensibilidade mais sutil.

P.G: Já deu aulas para as mulheres? Como foi? Quantas mulheres já formou?

M. F: Sim, mulheres sempre são maravilhosas no treino. Esse ano terei a primeira mulher faixa preta, depois de 25 anos dando aulas.


P.G: Como percebe o machismo ou não percebe nas artes marciais? De que maneira ele é prejudicial?

M. F: O Brasil é um pais muito machista, as artes marciais segue muitas vezes o mesmo caminho. A ausência de mulheres cria desarmonia no ambiente e falta de interação para um equilíbrio In/Yang.

P.G: Se puder falar um pouco sobre isso e até contar histórias de mulheres nas artes marciais. Sente preconceito no mundo marcial? De que maneira isso ocorre? Qual é o futuro das artes marciais na sua opinião? E suas considerações sobre o assunto.

M. F: O preconceito existe algumas vezes e também parte das mulheres muitas vezes. Eu, assim como muitos praticantes gostamos de treinar com mulheres, mas as vezes elas se acham discriminadas onde não há esse pré conceito.Só fato de escrever a respeito já cria uma diferença onde não deve haver. Sou oriental e sofro preconceitos, não acho que falando sobre isso melhore ou acabe com o fato. Aprendi com as artes marciais que nos cabe a aceitarmos a nós mesmos e ao outro como seres humanos, só assim tudo se resolve. O futuro é nos harmonizarmos com o universo, vejo as artes marciais com um dos caminhos. 

Os/as senseis contam…

Professor Fernando Alberto Cartofiel

Por: Priscila Gorzoni

Professor Fernando Alberto Cartofiel, 42, Especialista em Criminologia e Psicologia Forense, Especialista em Contabilidade Administrativa, Instrutor de Defesa Pessoal para Forças de Segurança. Presidente da Organização Internacional de Polícia Aikido e Defesa Pessoal Operativa. Ele é professor de Aikido no Tai Shin Gi Dojo (o Dojo dos “Três Estados”) Ou o lugar onde a mente, corpo e espírito são treinados.

“Eu treino Aikido e Jiu Jitsu, também sou instrutor de Polícia Aikido e Operative Personal Defense. Desde a infância eu senti uma inclinação clara no sentido de filosofia oriental e artes marciais também, aos 12 anos comecei a praticar diferentes disciplinas que procuram encontrar um que eu mais gostava, então pratiquei Karate, Judo, Jujitsu, Ninjutsu, etc. chegando a diferentes graduações nessas disciplinas até conhecer o Aikido e foi amor à primeira vista. Comecei a praticar Artes Marciais por causa do meu interesse em sua filosofia e na união da mente e do corpo que sua prática produz. Quando conheci o Aikido, senti uma conexão profunda com a Arte Marcial e sua filosofia, hoje pratico há quase 30 anos. As artes marciais não mudaram minha vida, as artes marciais são minha vida! Para mim, eles constituem um autêntico DO (caminho) que sigo desde criança, seus preceitos do Código Bushido marcaram minha vida e orientaram meus passos e meu modo de me comportar. A Arte Marcial é como um farol que ainda brilha a que podemos preservar e continuar transmitindo esses importantes valores. Para mim, isso significa uma parte muito importante de quem eu sou, graças às Artes Marciais eu conheci muitos dos meus amigos, viajei para muitos países, compartilhei com pessoas de diferentes culturas, fui capaz de ensinar e aprender. Hoje as artes marciais para mim significam a transmissão inestimável de um conhecimento antigo e ancestral que não deveria ser perdido e, mais importante, elas deveriam ser honradas. Para mim o papel de Artes Marciais é baseado em três pilares: primeiro a substituição de funções primitivas respostas aprendidas violentos controlados por segundo educação mental e espiritual do praticante e, finalmente, entender que as artes marciais são Arts of War! Então sua função original e primária era e continua sendo a formação de guerreiros ou pessoas capazes de lutar e se defender. Como o nome do meu Dojo e minha escola indica: Tai Shin Gi Dojo. Meu objetivo é que meus alunos recebam nas aulas uma formação completa e completa do praticante, treinando mente-corpo-espírito em cada prática. Para mim, muito mais importante do que o número de alunos é a “qualidade” e exigem muito de você, eu não me importo de ir para “trem” que pode fazê-lo em uma academia, o Dojo é desafiar a si mesmos, para competir contra nós nos aspectos físicos, emocionais, espirituais e mentais. Sou professor de Artes Marciais, mas também sou instrutor de Defesa Pessoal, ambos podem ser semelhantes, mas também são diferentes. Também ensino a disciplina das Forças de Segurança do Aikido polícia e ofereço aulas e seminários em diferentes países da América do Sul, e ensino cursos de auto Defesa para as mulheres e para mim um dos maiores reconhecimentos é que eu recebo no final dos meus seminários com as pessoas. Eles vêm para me parabenizar e me contar sobre suas experiências. Então, as pessoas que têm muitos anos pertencentes a brigadas especiais da polícia e do exército que é fascinado pelos ensinamentos recebidos, mas especialmente quando mulheres atendidas agradecem-me com lágrimas nos olhos e me contam as suas histórias de vida e humilhações e perseguições por aqueles que tiveram que passar ou aqueles que escrevem ou me contatam para me agradecer por como eles poderiam se defender ou usar o que aprenderam para mudar suas vidas e agora se sentem mais confiantes. Porque eu sinto que pessoalmente, as artes marciais me deram muito, elas me ajudaram em diferentes aspectos e situações da minha vida, eles marcaram o meu caminho favoravelmente e me serviram de apoio e força em tempos difíceis. Por isso sou grato por este caminho e por isso continuo a transitar e continuo a transmiti-lo. Eu vejo isso com preocupação, porque atualmente muitos professores estão perdendo artes marciais e preferem quantidade a qualidade, deixam de lado os aspectos marciais e se concentram apenas nos aspectos competitivos e esportivos. A proliferação de “sistemas”, de “métodos” que intencionalmente abandonam a transmissão de valores e se concentram apenas na defensiva ou competitiva, essa tendência, juntamente com a desconsideração atual por valores e códigos sociais morais, caminham lado a lado. Parece que “fazer a coisa certa” já não é bom, mas é importante se concentrar em “alcançar o objetivo” a qualquer preço. Claramente há uma crise nas artes marciais e não tem nada a ver com “evolução”, mas ao contrário com “involução”, mais e mais professores se sacrificam para ensinar valores, são firmes ao corrigir maus comportamentos, punir comportamentos antiéticos, etc, deixando tudo isso para acontecer, a fim de ganhar mais dinheiro, e isso em si já é lamentável. Isto é o que quero dizer com involução! É claro que tudo dependerá das Artes Marciais e da sua filosofia, porém continuando com o que foi dito acima, desde que esses professores continuem fiéis ao ensino tradicional e não cedam à moda de oferecer algo rápido, barato, dar graduações e cintos apenas por dinheiro, acho que a essência das artes marciais pode ser mantida. Minha crítica está particularmente na falta de preparo de alguns professores que são responsáveis ​​pelas aulas ou são chefes de Dojo, cuja formação não era o que deveria ter sido, mas que obtiveram suas graduações rapidamente ou simplesmente pagaram por eles, ou foram politicamente correto e ascendeu rapidamente. Eles não tinham o tempo de maturidade suficiente nem a prática correta antes mesmo de obter sua fita preta e agora ditam as aulas ou acreditam ser verdadeiros instrutores. Pessoalmente, acredito que as mulheres têm melhores e melhores condições para as artes marciais do que os homens e eu posso explicar isso do ponto de vista físico, mental e espiritual. O simples fato de os homens serem considerados melhores é simplesmente devido à sua força física, peso, musculatura, massa, etc. Mas se falamos de plasticidade, velocidade, alongamento, autocontrole, maior resistência à dor que as mulheres têm, sem mencionar sua enorme capacidade de adaptação. Quando perguntado se eu considero o mundo das artes marciais é algo machista, devo dizer que, claro, embora haja uma clara tendência a ver as mulheres como os grandes guerreiros e lutadores que são e pouco a pouco ganhar espaços tão difíceis, duros e competitivos quanto as competições do UFC e MMA. No entanto, o pano de fundo do desprezo está sempre presente e de considerá-los inferiores, mas eles o fazem de maneira oculta sob uma máscara. Pessoalmente, tenho visto mulheres incríveis superar e superar grandes adversidades e superar as piores batalhas. Eu ensino Cursos, Seminários e Oficinas de Defesa Pessoal Feminina e nas minhas aulas de Aikido eu sempre tenho mulheres Aikidoka. Devo dizer que pude dar aulas para mais de 800 mulheres ao longo desses anos e contribuir para o conhecimento defensivo e a autoestima delas. Tenho trabalhado em estreita colaboração com os Municípios e Centros de Atenção a Mulheres Vítimas de Violência de Gênero e isso é algo que me enche de orgulho e satisfação poder ajudar essas mulheres e que elas possam continuar com suas vidas e também acabar com sua situação de violência. Uma vez enquanto ensinava um curso de Defesa Pessoal Feminina contra tentativas de violações ou abusos, uma das participantes, enquanto executava a defesa enquanto estava de costas no chão e com o agressor sobre ela começou a ter uma forte crise nervosa, começou a tremer. Então, soluçar, até ela começar a gritar porque ela praticamente teve um ataque de pânico quando estava revivendo e relembrando um episódio em que foi insultada. Depois de acalmar e tranquilizar, trabalhei particularmente com ela para reforçar sua auto-estima, fortalecer a crença em si mesma, encorajá-la e apoiá-la durante o final de semana que durou o curso. Tenho o prazer de dizer que, no final, ela foi uma das mulheres que mais se destacou e que melhor trabalhou nas técnicas, ela era uma mulher nova, quando ela deixou os cursos, ela me agradeceu com lágrimas nos olhos e às vezes, embora tantos anos ainda escrevendo para me agradecer. Na verdade não estou encorajando muito o futuro que vejo nas Artes Marciais, pois até agora não consigo imaginar nada além de negativo, o abandono das artes marciais pela competitividade, o abandono do Código Bushido pelo interesse e retorno econômico, etc. .. mas eu também acredito que existem aqueles professores que tentam permanecer fiéis à transmissão marcial, embora cada vez haja menos deles. De minha parte eu continuarei treinando e praticando seguindo e mantendo a tradição do Aikido como foi ensinado e transmitido, respeitando os tempos, prazos e maturação necessária dos estudantes para subir a série por conhecimento e compreensão e não por dinheiro, acomodação ou medo. Deixar a prática e ficar com poucos alunos. Eu continuarei ensinando Aikido como um praticante desta maravilhosa Arte Marcial que eu amo profundamente e que me deu tanto. E por outro lado, continuarei a ensinar o Aikido Policial e a Defesa Pessoal Operativa às Forças de Segurança, oferecendo cursos, seminários e treinamentos para diferentes países. Atualmente tenho escolas e representantes na Argentina, Chile, Equador, Peru e Costa Rica. Estou convencido de que uma formação mais profissional e integrativa das Forças de Segurança terá impacto sobre uma Polícia mais bem preparada e mais profissional para cumprir o seu dever sem ter de recorrer à violência, para atingir pessoas ou casos de fácil desencadeamento ou força excessiva. Assim, melhor servir as necessidades da sociedade para fazer cumprir a lei. Para terminar só tenho que agradecer a possibilidade de realizar esta entrevista e alcançar mais pessoas através dela, aproveito para saudar todos os meus seguidores do Instagram, meus contatos no Facebook e meus alunos de toda a América do Sul. Meus melhores desejos para todos eles e eu vou continuar do meu humilde lugar espalhando e tornando conhecidas as artes marciais como tenho feito há tantos anos. Um abraço forte”.

(Associação Pdte de Polícia Aikido e Defesa Pessoal Operativa)

* TEL WTSP: +54 9 2644856171 (Arg) + 56 9 61519273 (Cl)

* FACEBOOK: https://www.facebook.com/aikidopolicialoperativo/

* INSTAGRAM: https://www.instagram.com/aikidopolicialoperativo/

* PAG. WEB: https://aikidopolicial-militar.blogspot.com/

As Personalidades enigmáticas do mundo marcial

Morihei Ueshiba: O Sensei

Por: Priscila Gorzoni

Morihei Ueshiba: O Sensei

O SENSEI, MORIHEI UESHIBA NASCEU EM UMA CIDADE CHAMADA TANABE, NO JAPÃO, NO DIA 14 DE DEZEMBRO DE 1883. SEUS PAIS ERAM CAMPONESES E VIVAM DA PESCA.

A INFÂNCIA

Quando pequeno, O Sensei era um menino frágil e vivia doente. Seu pai resolveu colocá-lo desde cedo na pratica de artes marciais, uma delas era o sumô.

Assim, O Sensei tornou-se forte. Desde menino sempre foi atraído pelas religiões, o budismo, os deuses budistas e suas lendas.

O Sensei, se diferenciava um pouco das crianças da época por gostar muito de ler. Seu quarto tinha pilhas e pilhas de livros que o entretinham durante boa parte do tempo.

Os cursos e as mudanças

DURANTE A VIDA O SENSEI PASSOU POR VÁRIAS ESCOLAS, EM ALGUMAS CONCLUIU O CURSO, EM OUTRAS LARGOU. TAMBÉM TRABALHOU EM VÁRIOS LOCAIS, COMO O DEPARTAMENTO DE IMPOSTOS, SE ALISTOU NA QUARTA DIVISÃO DE OSAKA, SE ENVOLVEU COM MOVIMENTOS POLÍTICOS E EM PARALELO SEMPRE APRENDENDO ARTES MARCIAIS, JUDÔ, YAGRY- RYU JU JUTSU, E DAITO RYU JU JUTSU COM SOKAKU TAKEDA.

A morte do pai e a entrada na seita Omoto

A vida de O Sensei deu uma virada após a morte do pai, em 1919. Nessa época conheceu a seita Omoto e Onisaburo Degushi. Assim decidiu mudar-de para Ayabe e passou a fazer parte da Omoto.

Nessa época abriu um dojo em parte de sua casa e passou a ensinar artes marciais aos seguidores da Omoto.

Em 1922, Morihei já tinha tornado sua arte muito conhecida e era chamada de Aiki-Bujutsu ou Ushiba ruy aiki bujutsu.

Mais tarde, O Sensei mudaria a sua arte para Aiki Budo, que passou a atrair muitos almirantes, em 1925.

A criação do Aikido

UESHIBA TEVE TRÊS VISÕES QUE DETERMINARAM A CRIAÇÃO DO AIKIDO:

  1. EM 1952, APÓS DERROTAR UM ESPADACHIM, APENAS EVITANDO OS SEUS GOLPES, SENTIU O DESAPEGO PELOS VALORES MATERIAIS,
  2. EM 1940, DURANTE UMA PURIFICAÇÃO ESPIRITUAL, PERCEBEU QUE AS SUAS TÉCNICAS ERAM APENAS VEÍCULOS PARA FAZER PROSPERAR A VIDA,
  3. EM 1942, EM PLENA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, VISUALIZOU O ESPIRITO DA PAZ E PERCEBEU QUE O GUERREIRO DEVERIA ESPALHAR A PAZ PELO MUNDO

AIKI BUDO ERA CADA VEZ MAIS CONHECIDO NO JAPÃO. MORIHEI ERA CONVIDADO PARA SE APRESENTAR PELO PAÍS E FICOU MAIS FAMOSOS AINDA POR ALGUNS ACONTECIMENTOS.

ENTRE ELES EM 1931 QUANDO IMOBILIZOU COM UM DEDO SÓ O LUTADOR DE SUMÔ TENRYU, NA MANCHÚRIA.

EM 1940, O AIKI BUDO FOI INCORPORADO NA BUTOKUKAI.

DEPOIS QUE COMEÇOU A GUERRA, O SENSEI PASSOU A CHAMAR O AIKI BUDO DE AIKIDO.

EM 1954, O QUARTEL GENERAL DO AIKIDO FOI TRANSFERIDO PARA TÓQUIO E AO DOJO FOI DADO O TÍTULO OFICIAL DE FUNDAÇÃO AKIKAI: O HOMBU DOJO DO AIKIDO.

 SENSEI FALECEU NO DIA 26 DE ABRIL DE 1969, ÀS 17 HORAS E SUAS CINZAS FORAM DEPOSITADAS NO CEMITÉRIO DE TANABE, NO TEMPLO DA FAMÍLIA UESHIBA


EDIÇÃO E TEXTOS: PRISCILA GORZONI

FONTES: BUDÔ ENSINAMENTOS DO FUNDADOR DO AIKIDO, MORIHEI UESHIBA, EDITORA PENSAMENTO. AIKIDO: TÉCNICA E FILOSOFIA, ERNESTO COHN, ESCRITURAS. UMA VIDA NO AIKIDO: BIOGRAFIA DO FUNDATOS MORIHEI UESHIBA, KISSHOMARU UESHIBA, EDITORA PENSAMENTO

As armas marciais mais curiosas…

Kansashi: as armas das mulheres

Por: Priscila Gorzoni

Esse é mais um exemplo de um objeto do cotidiano usado como armas.
No caso o Kansashi era um enfeite de cabelos usados pelas mulheres.


Eles eram longos pinos usados inicialmente para prender os penteados das mulheres das famílias dos samurais.

Kanzashi são ornamentos de cabelos usados em penteados japoneses tradicionais. Alguns eram modificados para autodefesa

O termo “kanzashi” às vezes é aplicado às flores de pano dobradas que tradicionalmente adornavam tsunami kanzashi ou à técnica usada para fazer aquelas flores.

Kanzashi foi usado pela primeira vez no Japão durante o período Jômon. Durante esse tempo, uma única haste ou vara fina foi considerada como tendo poderes místicos que poderiam afastar os espíritos malignos.

Os Shakuhachi tinham cerca de 15 centímetros e podiam f facilmente furar o tórax ou ferir o pescoço de agressores.



Entrevista com o sensei José Fernando Panhan Júnior

Por: Priscila Gorzoni

O blog Curiosidades Marciais fez uma entrevista com o sensei José Fernando Panhan Júnior, 58 anos, médico psiquiatra, Awase Dojo, Aikido. Ele começou a praticar artes marciais aos 14 anos e atualmente se dedica ao Aikido. Entre os seus programas estão as aulas gratuitas que são dadas na USP Leste desde 2016. Nessa entrevista ele conta um pouco da sua trajetória nas artes marciais, no aikido e das perspectivas dessa arte marcial.

Priscila Gorzoni: Seu nome inteiro, idade, profissão, nome do dojo, da arte que pratica?

José Fernando Panhan Júnior, 58 anos (04/03/1961), médico psiquiatra, Awase Dojo, Aikido.

P.G: Quando começou a praticar artes marciais? 
José Fernando Panhan Júnior: Em 1975 aos 14 anos de idade comecei a praticar Judô.


P.G: Por que começou a praticar artes marciais? 
José Fernando Panhan Júnior: Nessa época havia um seriado de TV chamado Kung Fu, com o ator David Carradine, eu tinha vários amigos que treinavam alguma coisa (Judô, Karate,Capoeira) e a gente ficava brincando de lutar na rua, eu tinha um amigo da escola que já treinava judô e queria mudar de academia para uma “melhor” e me perguntou se eu não queria ir com ele e como eu não era de jogar bola e não praticava nenhuma atividade específica resolvi experimentar. Ou seja, por vários motivos e por nenhum motivo específico. 

PG: Quais pratica? 
Eu pratico Aikido, mas já pratiquei judô, karatê, hapkidô, capoeira, iaidô e jodô, algumas por pouco tempo outras por mais tempo. 

P.G: Há quanto tempo? 
Comecei a treinar Aikido em março de 1982, portanto esse ano de 2019 completou 37 anos.


P.G: De que maneira a arte marcial mudou a sua vida? 
Diria que ao treinar uma arte marcial eu me tornei mais autoconfiante, mais senhor de mim mesmo. 

P.G: O que significa a arte marcial para você?

Uma forma de melhorar a autoestima do praticante. O que começa como uma forma de se defender, gerando uma sensação de segurança pode evoluir para um aprendizado sobre si mesmo o que pode levar a um melhor entendimento de suas fraquezas a capacidades.


P.G: Qual é a função da arte marcial em sua opinião? 
Desenvolver pessoas melhores, capazes de lidar com as adversidades de uma forma mais tranquila.


P.G: De que maneira ensina as artes marciais e qual é o seu objetivo? 
Procuro, além de ensinar as técnicas específicas da arte marcial que escolhi, no meu caso o Aikido, mostrar que o que acontece no dojo é um reflexo de como agimos na vida fora do tatame, de que se somos inseguros no tatame isso pode ser um reflexo de nossa insegurança lá fora, se somos rígidos no dojo é provável que o sejamos lá fora e que se somos capazes de mudar no dojo podemos fazer o mesmo lá fora.


P.G: Se puder me contar alguma história que ilustre o seu trabalho? 
Uma vez uma mãe trouxe o filho adolescente para treinar com a gente. Após um período de treino a mãe chegou para minha esposa que na época treinava e disse que estava muito feliz pois seu filho depois que começou a treinar apresentou grande melhora no comportamento escolar, que antes desafiava os professores, sempre recebendo advertência na escola e que depois que começou a treinar esse comportamento desapareceu. 
Outra ocasião um aluno já mais velho trouxe o sobrinho para treinar com a gente e após um período ele chegou para mim e disse que depois que o sobrinho começou a treinar o comportamento dele havia se modificado radicalmente. Antes nas festas em família ele tendia a se isolar e quase nunca interagia com os primos e que depois que começou a treinar ele passou a se comunicar mais, brincar com os primos e “até contar piada”.

O interessante é que em nenhum dos dois casos eu havia tido uma atitude diferente com os dois alunos em relação ao restante do grupo. 

P.G: Por que resolveu seguir esse caminho nas artes marciais? 
Sinto-me feliz fazendo o que faço.


P.G: Como vê a situação das artes marciais na atualidade? 
Posso falar do Aikido no Brasil que a meu ver está muito melhor do que quando eu comecei, pois temos muito bons instrutores, temos muito mais intercambio e muito mais locais para treinar.


P.G: Percebe uma crise de valores nas artes marciais? Em que? 
Não sei se o problema está nas artes marciais ou se está nas pessoas hoje em dia, que tendem a ser mais imediatistas, que querem respostas prontas para todas as dúvidas, que não querem se esforçar muito para chegar a um objetivo.


P.G: Como vê a formação dos professores de artes marciais? 
Por um lado termos os educadores físicos que às vezes não têm conhecimento de uma arte marcial e por outro lado temos mestres de artes marciais que às vezes não têm 
conhecimento de didática, biomecânica, fisiologia do exercício etc. Parece-me que o ideal é ter os dois universos trabalhando em conjunto.


P.G: Quais criticas faz sobre alguns deles? 
Não estou aqui para tecer críticas sobre os outros por isso falarei de mim. Quando comecei a treinar Aikido estava no segundo ano da faculdade de medicina e nunca imaginei que um dia viria a dar aula. Treinava porque gostava do treino, do ambiente, das pessoas. 
Comecei a dar aulas por acaso. Eu estava no terceiro dan e um amigo trabalhava em um lugar chamado Alquimia Interior que era um espaço de desenvolvimento pessoal. Nesse espaço havia aulas de Aikido e o sensei que lá trabalhava decidiu sair de lá e abrir o seu próprio espaço e esse amigo me perguntou se eu não queria dar aula no lugar do sensei que estava saindo. Eu já estava formado, trabalhando em um consultório particular e tinha disponibilidade de horário e comecei, sem nenhum preparo específico para dar aulas, a ensinar, em um processo que eu poderia dizer de “erros e acertos”. 
Às vezes fico com vontade de voltar para a faculdade e fazer um curso de educação física para melhorar minha didática, conhecer um pouco mais de fisiologia do esporte etc., mas por outro lado não me atrai ter matérias como regras de jogos, jogos com bolas etc. Creio que se houvesse uma graduação em artes marciais como acontece no Japão eu estaria mais tentado a voltar para a faculdade.


P.G: O que acha desse hábito que os alunos têm de perguntar tudo para o sensei? 
Acho normal, as pessoas são curiosas. Algumas perguntas são pertinentes, outras um pouco descabidas. Algumas vezes uma pergunta pode te fazer refletir sobre uma situação e te fazer elaborar melhor o porquê daquilo ser daquele jeito.


P.G: Também gostaria de saber o que o senhor acha da participação das mulheres nas artes marciais, que ainda é um universo bem machista? 
Acho legal que elas treinem e deveria haver mais mulheres treinando, só não sei como fazer para atraí-las para o dojo. 

P.G: Já deu aulas para as mulheres? 
Sim. 

P.G: Como foi? 
Foi (e é) interessante. Quando eu era criança/adolescente os meninos tinham brincadeira como se empurrarem, dar soco no braço do outro para ver o quanto aguentava etc. Quando você 
começa a treinar uma arte marcial está acostumado ao confronto físico. Já as mulheres não estão acostumadas a esse tipo de atitude e percebo que ainda hoje elas tendem a ter esse tipo de comportamento (é lógico que existem exceções). Alguma insegurança, medo de se machucar e de machucar o outro. A impressão que eu tenho é que à medida que elas se engajam no treino essa insegurança vai desaparecendo e elas vão se sentindo mais à vontade.


P.G: Quantas mulheres já formou? 
Faixa preta? Duas, uma senhora que começou a treinar quando já tinha mais de 50 anos para fazer companhia para o filho e uma mais moça que treinava na academia de meu sensei e que passou a treinar com agente. 
Minha esposa já era faixa preta quando nos casamos.


P.G: Como percebe o machismo ou não percebe nas artes marciais? 
Não me parece que o problema do machismo esteja restrito às artes marciais, mas sim que tende a ser um comportamento aprendido na sociedade. Como homem não sofro por parte dos outros praticantes esse tipo de preconceito e acabo não percebendo esse tipo de comportamento. Enquanto professor procuro ficar atento a qualquer tipo de comportamento prejudicial dentro do dojo. 
As artes marciais como judô, karatê e Aikido são oriundas do Japão que tem uma sociedade extremamente machista. Eu lembro de que quando o filme “Kagemusha, a sombra do guerreiro” de Akira Kurosawa estreou em São Paulo (por volta de 1980) eu fui ao cinema e me chamou a atenção uma roda de senhores japoneses conversando e atrás deles estavam as respectivas senhoras quietinhas sem interagirem umas com as outras. 
Outro fato interessante em relação à cultura japonesa eu presenciei em uma viagem ao Japão. Tínhamos saído para beber e conversar com alguns aikidoista que havíamos conhecido e no grupo havia uma mulher, também praticante. Quando você esta bebendo a “etiqueta” diz que você serve todas as pessoas e coloca a garrafa de cerveja na mesa e alguém pega a garrafa e serve você, ou seja, você não se serve, mas alguém serve você. O problema é que essa regra não se aplica às mulheres. Primeiro que são elas que servem os outros, no caso homens, e ela é que se serve, pois ninguém a irá servi-la. 
Outro exemplo interessante desse tipo de comportamento social eu presenciei em um documentário que assisti há muito tempo atrás, não lembro se na GNT ou em outro canal. Eles mostravam uma karateca da palestina e sua rotina de treinos e competições. O pai dela dava o maior incentivo e a mãe dela achava aquilo um absurdo, pois ela estava para se casar e ela devia deixar o esporte de lado e se concentrar nas suas “obrigações” de futura esposa. No final ela se casou e o marido exigiu que ela parasse de treinar ao que ela acatou para desgosto do pai. 

P.G: De que maneira ele é prejudicial? 
Você tolher qualquer pessoa de praticar algo seja em função de sexo, cor, classe social, orientação sexual, ou por qualquer motivo não me parece certo. Perdemos a possibilidade de melhorarmos como seres humanos. 
Se puder falar um pouco sobre isso e até contar histórias de mulheres nas artes marciais. 
Um fato interessante em relação ao Aikido é que o fundador Morihei Ueshiba ensinava o Aikido (que ainda não tinha esse nome) às mulheres da seita Oomoto Kyo, a qual ele pertencia, em uma época em que o machismo do povo japonês era ainda mais exacerbado. Outro ponto interessante em relação à seita Oomoto Kyo é que ela foi fundada por uma mulher (Nao Deguchi) e boa parte de seus lideres espirituais foram mulheres. 
A arte marcial chinesa que tem sua origem ligada a uma mulher é o Wing Chun e em termos de diversidade podemos citar a história de Madame Satã, homossexual capoeirista bom de briga. 

P.G: Sente preconceito no mundo marcial? 
Como eu já falei acho que o preconceito, seja de sexo, cor, raça, orientação sexual, classe social etc., não é um problema do mundo marcial, mas sim da sociedade como um todo. 

P.G: De que maneira isso ocorre? 
Creio que tendemos a rejeitar aquilo que não conhecemos, aquilo que tememos e até mesmo quando projetamos no outro “defeitos” que não gostamos em nós e atribuímos ao outro esse tipo de problema. Às vezes usamos o “poder” para nos defendermos daquilo que nos “ameaça”. A melhor forma de combatermos isso é estarmos abertos para novas experiências. Uma coisa que acho interessante no Aikido é a possibilidade de conhecer pessoas diferentes onde quer que você vá no mundo, pois existe a “cultura” de receber outros praticantes de diferentes dojos. 

P.G: Gostaria que você me contasse sobre o seu projeto na USP Leste, como funciona? 
Minha esposa é docente na USP leste e quando nos mudamos do Campo Belo, na zona sul de São Paulo para Ermelino Matarazzo na zona leste de São Paulo eu parei de dar aulas regularmente como fazia antes. Em uma conversa sobre abrir um novo dojo, como proceder surgiu a ideia de abrir uma turma na USP leste dentro do programa de cultura e extensão (CCEx) que é um programa da universidade para aproximar o mundo acadêmico da sociedade em geral. 
Fizemos a proposta que foi aceita pela universidade e começamos em 2016 com uma turma no período da tarde. Como o programa é ligado à universidade as aulas são gratuitas, meu trabalho é voluntário e as aulas são abertas tanto às pessoas da universidade (alunos tanto de graduação como de pós graduação, funcionários e docentes) bem como às pessoas de fora da universidade.

P.G: Quantos alunos tem? Quantas mulheres tem? 
Isso vária de semestre para semestre. No momento (primeiro semestre de 2019) estou com 8 alunos, quatro mulheres e quatro homens 
Conte um pouco dessa experiência. 
No começo, em 2016 cheguei a ter 26 alunos, a maioria mulheres (16 mulheres) e a maior dificuldade que tive foi a de ensinar um grupo tão grande e heterogêneo a praticar uma arte marcial que visa controlar o oponente sem que ele se machuque. Para tanto as pessoas precisavam aprende a cair, a rolar, a derrubar seu parceiro sem que ele se machucasse. Uma coisa é você entrar em um dojo onde já existem pessoas praticando, que vão te acolher e ajudar nos primeiros passos, como fazer ukemi e com aplicar as técnicas. Outra coisa é você ter um grupo de 20 pessoas sem qualquer experiência e você precisa ensiná-las a cair (sem se machucar), a derrubar (sem machucar o parceiro). 
Fizemos uma aula voltada só para mulheres nesse primeiro ano, no mês de março, para comemorarmos o dia internacional da mulher que infelizmente teve pouca procura, mas que estimulou outra professoras a incluir outras atividades voltadas para as mulheres e que acabou virando uma pratica recorrente, sendo que todo ano é comemorado o mês da mulher em março com uma série de atividades. 
Como em qualquer dojo algumas pessoas entram sem saber exatamente o que esperar desse tal de Aikido e algumas pessoas continuam treinando e outras param por não se identificar com a prática e lá na USP leste a situação é a mesma. 
Desse grupo que começou em 2016 somente duas alunas continuam treinando comigo. Uma parte parou por não ter se identificado com a prática, outra parte parou porque a vida acadêmica assim o exigiu (estágio, estudos, provas, mudança de horário etc.), outra parte se formou e voltou para sua terra natal, ou arranjou emprego que não lhes permitiu continuar treinando. 
Mas sempre estão entrando novos alunos que ficam mais ou menos tempo e a gente aprende a lidar com isso e sempre vamos aprendendo com eles, tentando melhorar a nossa didática.


P.G: Qual é o futuro das artes marciais na sua opinião? 
É difícil dizer. Existe um grupo de pessoas que procuram as artes marciais para aprender a se defender, como se a vida fosse um filme de Steven Seagal ou do Jean Claude Van Damme e ficam discutindo se o Aikido funciona ou não, outra parcela acha que podem se tornar cavaleiros Jedis que ao apontar sua mão contra o oponente ele será arremessado longe. As pessoas se esquecem que para se tornar bons artistas marciais eles precisam treinar duro, com afinco e com prazer por aquilo que fazem. 
Outro ponto importante é que enquanto a situação econômica do país não melhorar as pessoas não poderão se dedicar aos treinos, pois como costumo dizer, tudo na vida é uma questão de prioridades. Se tiver que trabalhar para sustentar minha família, por mais que eu goste de treinar vou ter que deixar os treinos de lado para poder trabalhar. Se minha prioridade é acabar a faculdade e para tanto tenho que deixar os treinos de lado, é o que eu farei. 

P.G: E suas considerações sobre o assunto. 
Eu ganhei muitas coisas com o Aikido para minha vida: amigos, autoestima, respeito, uma família e creio que devo dar algo em retorno ao Aikido e é por isso que dedico parte do meu tempo a ensiná-lo em um trabalho voluntário. Espero poder plantar uma semente em cada um dos alunos e que aqueles que precisaram para de treinar por algum motivo possam voltar a procurar um dojo de Aikido em algum lugar próximo de onde estejam.

Personalidades Marciais

Jigoro Kano: Do judô à educação

Por: Priscila Gorzoni

Jigoro Kano nasceu no Japão em 1860 e faleceu em 1938. Ele criou o judô, entre tantas outras coisas. Para criar essa arte marcial, Kano estudou alguns métodos de jiu -jitsu da época, como o KitoRyu e o Yoshin-Ryu, sendo esses os mais importantes.

Retirou as técnicas consideradas, por ele, como traumáticas e até fatais, e condicionou essa modalidade ao esporte. Inclusive sendo o primeiro esporte de luta a ser aceito como olímpico, graças às suas modificações.

Fonte: Budo no Jiten: Dicionário técnico das artes marciais japonesas, José Grácio Gomes Soares, Ícone Editora.

Os Samurais nos HQ: As artes marciais em quadrinhos

O Lobo solitário ganha o mundo

Por: Priscila Gorzoni

Nem só de filmes vivem as histórias de samurais e as artes marciais, eles podem ser vistos também nas histórias em quadrinhos, mangás, desenhos animais e animes. Aliás essa é uma ótima e divertida forma de conhecer um pouco mais do universo das artes marciais e do Japão feudal dos samurais e dos ronins.

            Essa mania surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, depois que os autores americanos viram os mangás japoneses dos samurais que já eram feitos na década de 70.

            Os autores americanos então perceberam nos mangás japoneses uma nova linha de histórias e não deu outra, nessa leva surgiram obras fantásticas como: Ronin de Frank Miller e Samurai Jack de Genny Tartakovsky.

Mas bem antes, no Japão de 70 nasciam os mangás mais famosos de samurais das mãos de seu primeiro criador Kazuo Koike e Goseki Kojima. No Brasil esse mangá foi chamado de Lobo Solitário, em que Itto Ogami é o protagonista das histórias ele é um ronin assassino e perigoso. Antes de executar o serviço do shogun foi traído pelo clã Yagyu.

            Lobo solitário é um retrato  fiel e triste do Japão feudal e do shogunato Tokugawa do século 17. A arte é influenciada pelas pinturas japonesas do período Edo e as histórias baseadas na trajetória real do país. Cada história tem um clima próprio, preto e branco, desenhos bem definidos, traços reais e muitas cenas de lutas e ação.

            Infelizmente, no Brasil, Lobo solitário nunca foi publicado por completo, por falta de interesse das editoras daqui.

            Além de Lobo solitário, vimos o sucesso de Vagabond, um mangá lançado no Japão em 1998 e no Brasil em 2001.

            O mangá foi criado por Takehiro Inue e conta a história de um dos maiores e mais conhecidos samurais da história, Miyamoto Musashi. Os quadrinhos foram baseados no livro Musashi de Eiji Yoshikawa.

            Outros quadrinhos que contam as histórias dos samurais, ronins e mostram os movimentos das artes marciais são:

Blade of the immortal de Hiroaki Samura: Essa série conta a história de manji, um ronin imortal com a missão de exterminar mil samurais para se livrar de sua maldição.

Ronin, de Frank Miller: Esse autor renomado nos quadrinhos americanos resolveu criar Ronin em 1983 e conta a história de um samurai sem mestre perseguido por um demônio.

Mais quadrinhos:

Usagi Yojimbo, de Stan Sakai

Lorde Takeyama de Shane L. Amaya e Bruno Angelo.

Samurai Jack, de Genny Tartakovsky

Ninjai

Mangás:

Naruto de Masashi Kishimoto

Samurai X de Nobushiro Watsuki

Fontes:

Almanaque ilustrado do desenho animado na TV, Antero Leivas, Discovery Publicações.

Conhecer fantástico: samurais, editora arte antiga.

Imagens:

O esporte mais popular na Inglaterra: O Boxe

Por: Priscila Gorzoni

Ele foi um dos esportes mais populares na Inglaterra dos séculos 18 e 19. No entanto as lutas de boxe naquela época eram muito brutais porque eram feitas com as mãos descobertas. 

O esporte foi reformulado em 1867, com as Regras de Queensberry.
Essas regras previam rounds de três minutos  e o uso de luvas. Isso passou a acontecer a partir de 1872.

As curiosidades do boxe

Os calções coloridos

A ideia dos calções coloridos dos boxeadores surgiu quando as emissoras de televisão pediam para os lutadores usarem calções coloridos para darem suas entrevistas.
Como naquela época o televisor era preto e branco, os calções coloridos ajudavam a diferenciar os lutadores. 

Os sacos de boxe


Você sabia que o saco do treino de boxe pesa entre quarenta e cinquenta quilos? Ele é feito de couro e recheado de serragem. 
A pushing ball pesa entre trezentos a quinhentos gramas. 

As luvas de boxe


Você sabe quanto pesam as luvas de boxe?
As luvas pesam entre oito à dez onças (224 a 280 gramas).

Os golpes mais comuns


Cruzado: O alvo é a lateral da cabeça do adversário.
Direto: Soco frontal.
Jab: Golpes preparatórios.
Upper ou gancho: Ele é desferido de baixo para cima e acerta o queixo do oponente.

Série: As artes marciais mais curiosas da história

Por: Priscila Gorzoni

Abir Judith: A luta inspirada no aramaico

Se você é adepto de artes marciais exóticas e estranhas, esqueça o kung fu, ou o caratê, e vá de lutar Abir Judith. Que tal?

Existem lutas tão estranhas que mal dá para acreditar que um dia existiram.

Imagine uma luta inspirada nas letras do aramaico?

Acredite, se quiser, ela já existiu e faz parte do rol das artes marciais mais estranhas do mundo.

  1. Abir Judith: A luta inspirada no aramaico

É uma arte marcial que está sendo difundida como o sistema de luta corporal mais antigo da história, inclusive com citações no Velho Testamento.

Seu patriarca, Yehoshua Avner Sofer Maatuf-Doh, afirma que sua origem remonta aos tempos de Abraão, no qual fez uso do sistema para proteger seu povo.

Detentor do título de Aluf Abir, Yehoshua assegura que essa arte marcial foi praticada por nobres judeus e a linhagem à qual pertence é descendente do grande Rei David, ligado a ele por seus antepassados.

A arte marcial não existe mais, e consistia em movimentações de defesas e ataques inspiradas nas letras do alfabeto aramaico.

Você sabe o que é dojo?

Por: Priscila Gorzoni

A palavra dojo vem da língua japonesa e significa literalmente ´lugar do caminho`. No mundo ocidental a palavra dojo refere-se principalmente a um lugar de formação especifica para as artes marciais japonesas, como o aikido, judô, caratê. No Japão, qualquer centro de treinamento físico, incluindo escolas de wrestling profissional pode ser chamado de dojo.

O dojo é considerado um local sagrado, tanto que existem várias regras e etiquetas a serem seguidas quando se está em um.

Para estar em um dojo é necessário ficas descalço, em alguns os praticantes realizam um ritual de limpeza antes e depois dos treinos. Essa atitude não só representa a higiene do local como a espiritual, simbólica e filosófica.

Em alguns dojos tradicionais se segue o padrão prescrito com shomen e várias entradas são usadas. Em geral, os alunos entram no canto inferior esquerdo do dojo, em referência ao shomen. Ele contém em geral, um kamiza, uma espécie de santuário. Outros acessórios podem ser encontrados nele, como o kanban, que autoriza a escola em um estilo ou estratégia e itens como tambores taiko ou armadura.

O Dojo Hombu é o centro de treinamento central e sede administrativa de um estilo de artes marciais em especial.Alguns bem conhecidos no Japão são: Kodokan (judô), Akikai Hombu Dojo (aikido), e Noma dojo (Kendo).

O dojo recebe outros nomes em outros locais: Akhara para as artes marciais indianas, Dojang para as coreanas, Heya para o sumo, entre outras.

O termo dojo também é usado para descrever salas de meditação onde os zen budistas praticam o zazen. Em outros momentos a palavra dojo é substituída por zendo. Existem várias regras que devem ser seguidas no dojo. Em geral é responsabilidade de todos deixar o dojo limpo, respeitar as regras tradicionais de conduta, criar uma atmosfera positiva de harmonia e respeito, deve ser utilizado unicamente para o treino, a limpeza, as orações e as reverências devem ser feitas sempre, respeito com todos, usar as técnicas de aikido construtivamente, não ter conflito de egos, ter consciência das nossas limitações, respeitar as razões de cada um treinar, respeitar o uniforme do treino, quando o sensei demonstrar uma técnica ficar em posição de seiza e ao terminar faça uma reverência de agradecimento, cumprimentar sempre o parceiro de treino, não conversar sobre o tatame a não ser que seja sobre o aikido.  

Kamiza



Kamiza é um termo que tem sua origem na língua japonesa e se refere a “assento top” dentro de um quarto, ou mais popularmente falando, quer dizer o lugar de honra. Esse termo também se aplica aos melhores lugares no avião, trens e carros. O termo contrário a ele seria Shimoza, que significa “assento de fundo”. Em uma sala, o Kamiza é o assento ou a posição mais confortável, em geral mais afastada da porta. Essa distância se refere aos tempos antigos de guerra, em que quanto mais afastado da porta, mais protegido dos ataques. Em um tradicional Washitsu, quarto, muitas vezes seria chamado de zabuton e colocado de forma que a pessoa sentada lá está de costas para o tokonoma. Ao entrar em uma sala no Japão, em um momento formal, os participantes deixam o kamiza livre para a pessoa mais importante presente ou um convidado de honra, ou de alto posto.

Uma curiosidade, os melhores assentos em um carro em ordem hierárquica decrescente são: diretamente atrás do motorista, atrás do passageiro da frente, no meio do banco traseiro, assento do passageiro da frente, motorista. Já no avião ou trem o assento top é ao lado da janela, seguido do assento do corredor e em seguida o assento do meio.

No dojo de muitas artes marciais japonesas, o kamiza é a localização de um pequeno santuário Shinto que é chamado de kamidana. A frente do dojo pode também ser chamado de Front (Shomen) ou o shinza.

Posições



Posições:


Kamiza: fica do lado principal do tatame, local onde se localiza o sensei e onde está a foto de O Sensei, além dos objetos sagrados japoneses.

Shimoza: É o lado oposto ao Kamiza, onde ficam os alunos.

Shimozeki: É o local onde ficam os alunos mais graduados.

Joseki: É o local onde ficam os alunos iniciantes,

Motivos para mudar de dojo:

1.      Insatisfação com as pessoas do dojo (sensei e colegas),

2.      Insatisfação com o método de ensino,

3.      Busca de novos desafios,

4.      Mudança de linha de aikido, mas nesses casos você pode tentar a conversão para a outra linha,

5.      Horários e dias incompatíveis,

6.      Distância de casa,

7.      Mudança de cidade,

8.      Conhecer novos dojos,

9.      Não sente bem,

10.  Valor da mensalidade.